EPISTEME

■ substantivo feminino Rubrica: filosofia. 1 na filosofia grega, esp. no Platonismo, o conhecimento Verdadeiro, de natureza científica... 2 no pensamento de Foucault (1926-1984), o paradigma geral segundo o qual se estruturam, em uma determinada época, os múltiplos saberes científicos... Etimologia gr. episteme,és (com a vogal final aport. em -e ou em -a), tomado por Michel Foucault (1926-1984, filósofo francês) no sentido de 'conhecimento científico, ciência'- Dic.Houaiss

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Copom mantem a Selic em 13,75%

Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Alexandre Antonio Tombini
Alvir Alberto Hoffmann
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Maria Celina Berardinelli Arraes
Mário Gomes Torós
Mário Magalhães Carvalho Mesquita

Todos energúmenos, bastava baixar 0,5% para sinalizar positivamente ao país e não haveria fuga de capitais pois todos os outros países que contam, inclusive os EUA, baixaram suas taxas de juros. Como disse o Paulo Henrique Amorim, Lula deveria mandar todos para o olho da rua!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sub-análise

Trilhões de dólares depois, duvido que alguém saiba o real tamanho do buraco do sistema financeiro. Nos caminhos que fiz tentando entender os meandros da crise encontrei alguns comentários que considero esclarecedores, nem sempre no tom que agrada a entidade (é, chamo o Mercado de entidade, pois não tem substância ontológica mas tem fases, humores, engorda, emagrece, fala pois é ouvido...), os quais compartilho a seguir.
Vejam o seguinte diálogo (os nomes não importam, por isso chamarei o primeiro de Míope e o segundo de Oftalmo):

Míope:
- Esperar que os consumidores, a tal "Main Street" aceite a sua parcela de culpa é o mesmo que esperar que funcionario publico brasileiro com seu salario acima do mercado, sua aposentadoria integral e tantas outros regalitos, tudo as custas do contribuintes e altamente despendiosa a tal ponto que é sustentada por tributação alta que por si so não basta, também pede juros altos para financiar essa maquina, aceite a sua parcela de culpa.
É claro que os dois não são exatamente iguais já que os camaradas de main street ao menos são pessoas produtivas.
Oftalmo:
-Poderia dar toda a explicação antes, e depois usar um exemplo para que a síntese fosse mais clara, mas prefiro ficar com o exemplo. Em bom inglês, voê está dizendo ao consumidor Main Street "Oh, man, you had it coming!, You know you had!" É mais ou menos como dizer à mulher que apanha do marido que ela pediu por isso.
Alguns pontos: "personagem fundamental da crise, que por vários anos aproveitou gostosamente a orgia do dinheiro barato" O dinheiro americano, pelas taxas de juro praticadas por lá, sempre foi barato. Não começou ontem, ou há dez anos. O custo do dinheiro nos USA, para um mortgage comum, não passa de 4,5% ao ano, e pelo menos desde que os Frannie-Freddie existem, as taxas praticadas foram semelhantes.
O problema começou a existir quando s empréstimos foram feitos por gente que não podia pagar, e a taxa de juros pelo dinheiro, que a princípio também cobre a inadimplência, não subiu. Mas até aí tudo bem, quando o mutuário não paga, a casa é retomada.
Só que quando você prduz um, dois ou três derivativos de uma carteira de mortgages subprime, vende-os por uma comissão, realiza lucro para o banco vendedor mas na realidade está passando para mão de outra instituição um dinheiro que não existe, o consumidor não tem nada a ver com isso, não. E foram as transações com esse derivativo, que se provou dinheiro virtual (sem liquidez) que faliu muita gente por aí.
Míope:
- O argumento não é que o consumidor seja, de qualquer forma, culpado, mas sim que se beneficiou do processo (provavelmente menos que os "big shots "da Goldman).
Mesmo que taxas de juros sempre tenham sido relativamente baixas, o próprio termo "subprime" revela muita gente que não tinha acesso a crédito antes deste processo começar e não teria não fossem os produtos financeiros que, em tese (mas muito menos na prática) permitiriam aos emprestadores diluir o risco.
Não se trata de atribuir a culpa aos consumidores, mas sim de reconhecer que muito da prosperidade que os beneficiou resultou sim desta história toda.
Oftalmo:
- Sim, houve maior acesso a empréstimos com juro baixo e a mortgages para consumidores que não eram os mais aptos a pagar por um, mas a pergunta inicial não deve ser se o consumidor beneficiou-se ou não. Primeiro: claro que o consumidor se beneficiou. Não sei em qual sistema financeiro você empresta dinheiro para o sujeito comprar uma casa e ele não vai se beneficiar com isso? O benefício tem que existir para os dois lados, o banco tem que ganhar dinheiro a longo prazo com o financiamento do imóvel e o consumidor tem que ter o imóvel para morar. Isso e um princípio básico de qualquer contrato, nem precisa ser o de mortgage: as duas partes têm benefícios.
O problema todo é que o banco não quis apenas seu benefício contratual, que prevê um retorno baixo do dinheiro emprestado justamente pela taxa de juro ser baixa. Faça o raciocício pelo lado inverso: o mutuário, achando que está ganhando pouco pelo que está pagando, resolve vender sua casa que está hipotecada por um preço menor do que a hipoteca para outro comprador. O preço que ele vende é o principal da dívida até o momento. Ele retira seus 10% de lucro e paga o resto ao banco. O novo dono ainda tem o saldo da hipoteca para pagar (o principal menos dez por cento mais juros). O banco vai cobrar e, obviamente, o novo comprador não quer pagar.
No mundo real isso não acontece, você não consegue vender uma casa hipotecada. No mundo mágico dos bancos, você consegue vender uma carteira de hipotecas que você não sabe se vai receber. Esse é o ponto, e não se o mutuário que fez um contrato subprime lucrou com isso.
Míope:
- "No mundo mágico dos bancos, você consegue vender uma carteira de hipotecas que você não sabe se vai receber. Esse é o ponto, e não se o mutuário que fez um contrato subprime lucrou com isso."
A questão é: se os bancos não conseguissem vender a carteira de hipotecas, eles teriam feito o empréstimo? Provavelmente não. Tanto é que muito gente só foi ter acesso a crédito quando os bancos perceberam que poderiam passar adiante os créditos.
Se você acha que é claro que o consumidor se beneficiou por ter acesso a crédito, e há razões para crer que este acesso só foi possível (nas proporções observadas) porque os bancos acreditavam ser possível vender a carteira, a conclusão lógica é que a securitização foi, sim, benéfica aos consumidores.
Isto dito, houve muitas falhas nesta história, da má qualidade da originação à alavancagem excessiva, que poderiam ter sido evitadas. Teríamos menos crédito, é verdade, mas um nível de risco bem inferior ao que foi tomado.
Oftalmo:
- Até aí concordamos, as hipotecas subprime davam lucro por serem vendidas, não por serem pagas. Afinal, o negócio do banco é fazer dinheiro, e não vender casas. Isso é assim nos Estados Unidos, assim no Brasil e em qualquer lugar. O grande ponto é que o banco que assume uma subprime assume não só o benefício de lucro maior do que de uma aplicação segura (risco alto, lucro alto). O ponto disso tudo é que os consumidores que estão perdendo suas casas vão continuar perdendo suas casas. As dívidas subprime não serão pagas, pelo menos nada do plano de ajuda até agora aponta nesse sentido. Já os bancos que se arriscaram com papéis podres vão receber o valor de face do papel, que é maior do que o valor de mercado - justamente porque a hipoteca não está paga.
O problema em si, que é a inadimplência do cara que contratou o mortgage, continua. O banco ganha dinheiro do governo para manter liquidez, enquanto que o cliente do financiamento pode dizer adeus para seu imóvel. E pelas últimas declarações do Paulson, parece que ele quer vender títulos do tesouro americano para quem tem dinheiro: nós (entenda-se os BRICs). Em resumo: nós pagaríamos a conta do Mercado americano.



Bem, não sei se o Míope comprou e está a usar os óculos recomendados pelo Oftalmo, mas se eu bem conheço o tipo digo que não.
Duas coisas presentes no diálogo são fundamentais para o pensamento neoliberal e para os reais desdobramentos da crise, e vou me arriscar a discordar. A primeira é sobre a parcela de culpa dos tomadores do crédito barato. Curto e grosso, é da natureza humana, e “achar” que as pessoas vão se controlar é hipocrisia. Algumas sim, muitas outras não, e foi o que aconteceu. A segunda me incomoda mais, e exige uma análise mais profunda. Os consumidores e a economia em geral se beneficiaram da bolha de crédito? O rescaldo é benéfico, pois ficam os produtos e a infra-estrutura necessária à produção? Sim para a primeira,não para a segunda, talvez com a exceção da construção civil, e nem toda ela pois existem problemas de planejamento urbano. O principal argumento do mercado é que as pessoas aproveitaram para melhorar de vida. Será? O que define uma vida melhor? Qualidade de vida, e ela não é melhor depois de mais um carro na garagem, cinco televisores espalhados pela casa e um celular 3G para cada um. Pode ser empolgante , e assim sentimos pois fomos condicionados ao desfrute do consumo imediatista, mas como qualquer droga, depois da euforia vem a depressão...econômica?

PS.: Se o seu vetor político aponta a esquerda, leia isto, se a direita, leia também e use os comentários para xingar a vontade.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Atrás da porta

Continuando a série, aqui vai a segunda.
Porque esta? Ora, Chico Buarque, Francis Hime e Ela.
E só Ela bastaria.

Atrás da porta
Francis Hime - Chico Buarque/1972

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei
Me debrucei
Sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito (Nos teus pelos)*
Teu pijama
Nos teus pés
Ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que inda sou tua
Só pra provar que inda sou tua...

* verso original vetado pela censura

segunda-feira, 3 de março de 2008

Cronologia de um absurdo


(*)

19/06/2006 - "O Japão e outros países que defendem a caça da baleia para fins comerciais tiveram sua primeira vitória em 20 anos, na reunião anual da Comissão Baleeira Internacional, na ilha de St. Kitts, no Caribe."(*)
22/10/2006 - "A Islândia violou uma moratória internacional de caça à baleia com fins comerciais, em vigor há 21 anos, ao matar a primeira baleia fin."(*)
18/11/2007 - "Uma frota de navios japoneses começou neste domingo uma expedição para caçar baleias-corcundas (também chamada de baleia-jubarte), pela primeira vez em décadas."(*)
21/12/2007 - "O Japão anunciou que está suspendendo temporariamente uma missão na Antártida para caçar baleias jubarte. A frota, entretanto, irá caçar cerca de mil baleias de outras espécies na área."(*)

E hoje saiu esta:

"O Japão acusou nesta segunda-feira ativistas ambientalistas de terem atacado um navio baleeiro do país na Antártida com frascos contendo um ácido fraco. As autoridades japonesas disseram que o ataque promovido pelos ativistas do grupo Sea Shepherd feriu levemente dois membros da tripulação do navio e dois guardas costeiros japoneses. O ácido utilizado, feito a partir de manteiga envelhecida, provoca sensação de ardência nos olhos."(*)

Bem que a ardência podia ser no , não?

(*)BBC Brasil

Piaf

Acabei de ver Edit Piaf.
Eu sei, eu sei, ela já se foi faz tempo, mas eu não estou louco não.
Ela reencarnou numa linda moça chamada Marion Cotillard. Oscar merecido. Virei espírita.



Belo filme. Assistam.

E logo abaixo a própria. Não fazia idéia da vida que ela teve. Não sei aonde encontrava forças para cantar. E cantava muito...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

"O mundo é um moinho"

Atendendo a pedidos insistentes de meu único leitor, voltei.
E volto inspirado. Começo com este post uma série sobre as dez músicas nacionais que mais gosto.
Gosto se discute sim, portanto critiquem a vontade.
A ordem que colocarei é nenhuma, ou seja, não gosto mais de uma em detrimento de outra.

Música é momento. Momento passado, nova música, novo momento. Algumas se prestam a vários, outras lembram um específico, inclusive o cheiro. Ah, aquele perfume...
No meu entender, a música é composta de quatro elementos, todos relevantes e de igual importância: -O primeiro é a melodia, que é a alma, a identidade, a assinatura dela. As vezes, um ou dois acordes bastam. O segundo é a letra, nem sempre presente ou necessária, mas quando bem feita pode elevar uma melodia mediana. O terceiro é a interpretação, capaz de tranformar em um clássico uma música somente boa, porém cansei de ver clássicos arruinados por intérpretes infelizes. O quarto é o ouvinte. Cada pessoa ouve uma mesma música de maneira particular, só sua. Temos situações diferentes também: -solitariamente, "a dois", em público e em turba. A diferença entre público e turba é que o público é passivo, enquanto a turba participa, interage e, de quando em quando, acaba com uma apresentação.

A primeira das dez mais que me vem a cabeça, neste momento, é a que intitula este post. Em grande estilo, inicio com Cartola, mestre do samba, sangue cor-de-rosa com glóbulos verdes e carioca do morro, se é que me entende...Foi um grande amigo quem me "abriu os olhos" para a verdadeira dimensão desta música.
"O mundo é um moinho" é um samba-canção de rara beleza, com todos os ingredientes de uma boa composição deste gênero: mulheres, amor, traição, dor-de-cotovelo e a melancolia que lhe é característica.
Com vocês,





O Mundo É Um Moinho

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó.
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Nsoso cbéerero é mluaco

De aorcdo com uma peqsiusa
de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as
Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que
a piremria e útmlia Lteras etejasm
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
uma bçguana ttaol, que vcoê
anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos
cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa
cmoo um tdoo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Células-Tronco de Células Epiteliais

A grande notícia científica do ano foi publicada esta semana na revista NewScientist.
Dois grupos de pesquisa, um do Japão e outro dos EUA, anunciaram sucesso em testes que fizeram células epiteliais comportarem-se como células-tronco.

Para entender o que são as células-tronco clique aqui.

As possibilidades terapêuticas de renovação de tecidos e órgãos comprometidos trazem esperança de cura para muitos casos de doenças e deficiências graves.
Pesquisas com células-tronco vem sendo muito criticadas e debatidas, principalmente no ocidente, pois uma fonte das células, para pesquisa, é o embrião humano, derivando daí discussões morais e religiosas sobre o aborto e o início da vida.
Com essa descoberta abre-se a possibilidade, no futuro, de enterrar esse debate.
Bush e Bento XVI já podem deitar a cabeça no travesseiro sem esse pesadelo. Se dormirão sem culpas é uma outra história.